Tem uma frase que eu escuto em quase toda loja que visito: “aqui o atendimento ao cliente é o nosso diferencial”. Quando eu peço para ver esse diferencial escrito, quase ninguém tem. O que existe é um time que atende do jeito que aprendeu, cada um do seu jeito, com resultado que varia conforme quem pegou a oportunidade.

E aí acontece uma coisa curiosa. A mesma loja que jura ter o melhor atendimento da praça perde negócio para o concorrente da esquina sem entender direito o motivo. Não foi preço e não foi estoque. Foi alguma coisa que ninguém viu acontecer, porque não estava sendo medida.

Neste artigo eu vou mostrar as quatro falhas mais comuns do atendimento ao cliente na concessionária, e o padrão de uma página que corrige as quatro. Todas acontecem dentro da sua operação, todos os dias. A quarta é a mais cara, porque estraga uma venda que já estava fechada e ainda derruba a próxima.

Eu sou Tiago Fernandes, CEO da AutoForce, e estou aqui para te ajudar a promover a transformação digital na sua concessionária, revenda ou montadora. Então leia este artigo até o final e descubra como posso te ajudar hoje a obter mais resultados na sua operação. Não esqueça de se cadastrar em nossa newsletter e compartilhar este artigo com seus amigos pelo WhatsApp.

Quem chega na sua loja já comprou carro antes

O mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves opera na casa dos milhões de unidades por ano, segundo os levantamentos da Fenabrave. Existe procura, e ela não costuma ser o fator escasso na operação.

Tem outro ponto que interessa ainda mais para quem cuida do comercial. A maior parte de quem compra carro novo no Brasil já tem carro. Numa pesquisa de intenção de compra do Webmotors Autoinsights, 73% dos interessados já possuíam um veículo e planejavam trocar.

Isso muda a natureza do atendimento. Você quase nunca está diante de alguém começando uma relação com o produto. Está diante de alguém que já passou por uma loja antes, já foi bem ou mal atendido em algum lugar, e chega com repertório para comparar.

Por isso, a pergunta útil para o gestor comercial não é se existe demanda. É o que acontece com essa pessoa depois que ela levanta a mão na sua loja. Dito de outro jeito: o atendimento ao cliente na concessionária é o filtro que decide quanto dessa procura você converte. E esse filtro é interno, controlável e barato de ajustar.

O cliente chega decidido sobre o carro e indeciso sobre a loja

Aqui está a mudança que mais me chama atenção nos últimos anos. O cliente pesquisa ficha técnica, compara versões, vê vídeo de avaliação e simula parcela antes de falar com qualquer vendedor. Por isso, quando ele manda a primeira mensagem, o carro já está praticamente escolhido.

O que segue em disputa, então, é a loja. E loja, nesse momento, quer dizer experiência: quem responde melhor, quem explica melhor, quem cumpre o que prometeu. Consequentemente, o atendimento deixou de ser a etapa final da venda e virou o próprio campo de batalha.

Jornada de compra mostrando pesquisa online antes do contato e atendimento ao cliente na concessionária até a decisão pela loja
Jornada de compra mostrando pesquisa online antes do contato e atendimento ao cliente na concessionária até a decisão pela loja

O que a sua loja chama hoje de atendimento ao cliente

Na prática, atendimento na maioria das operações é um traço de personalidade, não um processo. O time comenta que “o Rodrigo atende muito bem” e que “a Camila tem paciência com cliente difícil”. São elogios verdadeiros. Mas veja o que eles revelam.

Se a qualidade do atendimento depende de quem pegou o lead, você não tem padrão. Você tem sorte. E sorte não escala, não treina gente nova e não aparece em relatório nenhum para o gestor corrigir a tempo.

Há uma pesquisa que ajuda a enxergar onde essa percepção se forma. A consultoria Decoupling, fundada por Thales Teixeira, ex-professor da Harvard Business School, analisou mais de 10 mil avaliações online de clientes de carro novo no Brasil. O método divide a relação entre consumidor e empresa em 17 elos, do test-drive ao pós-venda, e compara as marcas com maior volume de avaliação em cada um deles.

O que me interessa nesse estudo não é o ranking em si, que muda de edição para edição. É onde ficou a diferença. De acordo com o estudo, as marcas com as piores médias concentraram avaliações negativas em etapas específicas: atendimento na concessionária, negociação comercial e entrega do veículo.

Essas três etapas não acontecem na linha de montagem. Acontecem dentro da rede, com gente de loja, em conversas que duram minutos. Isso não significa que a nota seja responsabilidade exclusiva da concessionária, porque produto, preço e portfólio entram na conta. Ainda assim, mostra em que terreno a percepção do cliente se forma.

O teste de uma pergunta só

Quer saber se a sua loja tem padrão de atendimento? Faça o seguinte nesta semana. Chame três vendedores separadamente e pergunte: “chega um lead de WhatsApp às oito da noite de terça, pedindo preço do SUV, o que você escreve?”

Portanto, se as três respostas forem diferentes em conteúdo, em tempo e em próximo passo, você acabou de encontrar o problema. Não é falta de empenho do time. É ausência de um combinado.

Falha 1: a primeira resposta

O cliente raramente fala com uma loja só. Ele dispara a mesma pergunta para duas, três, às vezes cinco. A primeira resposta que chega não define a venda, mas define quem conduz a conversa daí em diante.

Eu não vou te dar um número universal de minutos, porque isso seria desonesto. A cadência possível depende do tamanho do time, do volume de leads e de quem cobre o horário noturno e o fim de semana. Dessa forma, o compromisso tem que caber na sua operação real, senão ninguém cumpre.

O que dá para afirmar com segurança é outra coisa: velocidade sem conteúdo desperdiça a velocidade. Responder em noventa segundos com “Olá, tudo bem? Como posso ajudar?” devolve a bola para o cliente e não avança nada. Ele já disse o que queria na mensagem anterior.

Como é uma primeira resposta que trabalha

Uma boa primeira resposta faz três coisas ao mesmo tempo. Ela confirma o que a pessoa pediu, entrega uma informação concreta e propõe um próximo passo com data. Por exemplo:

“Oi, Marcos, aqui é a Camila da [loja]. Vi que você quer o [modelo] na versão intermediária. Tenho duas unidades disponíveis, uma prata e uma cinza. Com 40% de entrada, a parcela fica na faixa de R$ 1.890 em 48 meses, e eu fecho o número exato com o seu CPF. Consegue passar aqui amanhã às 15h ou prefere quinta de manhã?”

Perceba que essa mensagem não pede permissão para começar. Ela já começou. E ela oferece duas opções de horário, o que funciona bem melhor do que perguntar “quando você pode vir?”.

Na Fórmula 1, o pit stop é decidido antes de o carro entrar no box. A equipe já sabe qual pneu vai usar, quem solta a roda e quem segura a pistola. Dessa forma, quando o carro chega, ninguém está decidindo nada. No atendimento vale a mesma lógica: a resposta rápida só existe porque o combinado foi feito antes.

Infográfico com os três elementos da primeira resposta no atendimento ao cliente na concessionária
Infográfico com os três elementos da primeira resposta no atendimento ao cliente na concessionária

Falha 2: a passagem de bastão

Esse é o ponto que mais irrita cliente e que menos aparece nas reuniões de resultado. A pessoa conversa com o time digital, explica o que quer, informa o carro da troca, combina o horário. Chega na loja e o vendedor do salão pergunta: “e aí, no que posso ajudar?”

Do lado de dentro, parece detalhe. Do lado de fora, o recado é claro: ninguém anotou nada. Pior, o cliente entende que vai ter que negociar tudo de novo, desde o começo, com alguém que não sabe o que já foi conversado.

Existe uma saída simples e ela não começa comprando mais tecnologia. Começa definindo o que precisa viajar junto com o lead. Na prática, cinco informações resolvem a maior parte dos casos: modelo e versão de interesse, forma de pagamento pretendida, se existe carro na troca e qual, o que já foi prometido em número, e a data do próximo contato combinado.

Quem recebe precisa abrir a conversa mostrando que leu

Não basta o dado estar no sistema. O vendedor que recebe tem que demonstrar, na primeira frase, que conhece o histórico. Algo como: “Marcos, a Camila me passou que você está de olho no [modelo] intermediário e que tem um [carro atual] 2021 para avaliar. Já separei as duas unidades e o avaliador está no pátio.”

Essa frase custa dez segundos e muda o tom de toda a visita. Além do mais, ela passa ao cliente a sensação de que a loja funciona como uma empresa só, e não como três departamentos que dividem o mesmo estacionamento.

Quando marketing e comercial não conversam, essa falha vira rotina. O time de mídia entrega volume, o comercial reclama da qualidade do lead, e o cliente paga a conta da desorganização no meio do caminho.

Falha 3: a negociação sem memória

A negociação de carro tem uma característica que atrapalha muito: ela é cheia de esperas. Espera a avaliação do usado, espera o retorno do banco, espera a aprovação da proposta, espera a documentação. Cada espera dessas é uma janela para o cliente esfriar ou olhar para o lado.

O erro clássico aqui é o “eu te retorno”. Retorna quando? No mesmo dia? Amanhã? O vendedor sabe que vai demorar, mas não quer dar uma data ruim. Consequentemente, ele não dá data nenhuma, e quem fica caçando notícia é o cliente.

Eu defendo uma regra simples e inegociável: nenhum contato termina sem a data do próximo definida de forma clara.

Três frases para fechar qualquer interação

Vale deixar essas três prontas no bolso do time:

“Marcos, o banco costuma responder em até 24 horas. Vou te procurar amanhã até as 11h com o resultado, mesmo que seja negativo.”

“A avaliação do seu carro sai hoje até as 17h. Te mando o número por aqui antes disso, combinado?”

“Ainda não tenho a resposta da diretoria sobre o desconto. Não sumi. Te retorno na segunda pela manhã.”

A terceira é a mais importante das três. Dar notícia ruim no prazo constrói mais confiança do que dar notícia boa fora dele. Assim, o cliente aprende que a sua loja cumpre o que fala, e essa leitura se estende para a proposta inteira.

Outro cuidado: registre o que foi prometido em número. Desconto verbal que ninguém anotou vira discussão no fechamento, e discussão no fechamento costuma acabar em desconto maior ainda ou em venda perdida

Falha 4: a entrega e o silêncio depois

A entrega é o momento mais fotografado e menos desenhado da concessionária. Todo mundo tira foto com a chave. Poucas lojas definiram o que precisa acontecer ali, quanto tempo aquilo dura e quem conduz.

Pense no contraste. O cliente passou semanas pesquisando, negociou, assinou, esperou o emplacamento. É o ponto mais alto da relação dele com a sua marca. E, em boa parte das operações, essa etapa é resolvida em quinze minutos corridos, no meio do salão, com o vendedor atendendo o telefone.

Uma entrega desenhada tem hora marcada e dura entre trinta e quarenta minutos. O carro está limpo e abastecido. Alguém explica o pareamento do celular, o funcionamento dos assistentes de condução e o que a garantia cobre. A primeira revisão já sai agendada. O contato do consultor de pós-venda vai anotado no manual, com nome personalizado.

O silêncio que vem depois é o mais caro

Na semana seguinte, começa a segunda parte do problema. O cliente que era procurado três vezes por dia durante a negociação simplesmente para de receber mensagem. A leitura que ele faz é direta: queriam vender, não queriam relacionamento.

Três contatos resolvem boa parte disso, e nenhum deles precisa de tecnologia cara. Em 48 horas, uma mensagem perguntando se ficou alguma dúvida sobre o uso. Aos sete dias, uma ligação curta do consultor de pós-venda se apresentando. Aos trinta dias, a confirmação da revisão que já foi agendada na entrega.

Vale lembrar do que eu falei no começo: a maior parte de quem compra carro novo já teve carro antes. Ou seja, o cliente que você entrega hoje entra na lista de oportunidades de alguém daqui a alguns anos. A questão é se ele volta para você ou para o concorrente. Então, manter esse contato vivo custa menos do que comprar de novo a mesma oportunidade lá na frente.

O padrão mínimo de atendimento ao cliente na concessionária

Agora a parte prática. Um padrão de atendimento ao cliente na concessionária não é manual de trezentas páginas que ninguém lê. É uma página só, impressa, colada na parede da sala comercial, com cinco combinados que o time inteiro conhece de cor.

O primeiro combinado é o prazo de resposta por canal. Formulário do site, WhatsApp, telefone, Instagram e marketplace têm ritmos diferentes e capacidades diferentes de cobertura. Portanto, defina um prazo para cada um, considerando quem está de plantão em cada faixa de horário.

O segundo é o roteiro da primeira resposta. Não um texto engessado para copiar e colar, mas os três elementos obrigatórios que toda primeira mensagem precisa ter, como mostrei mais acima.

O terceiro é a lista de campos que precisam estar preenchidos no CRM antes de o lead mudar de mão. Sem isso, a passagem de bastão volta a falhar na semana que vem.

O quarto é a regra de retorno: nenhum contato termina sem data do próximo. O quinto é o ritual de revisão, que eu detalho daqui a pouco. Cinco combinados, uma página, zero ambiguidade.

Escreva os cinco combinados junto com o time

Um detalhe que muda o resultado: escreva esses combinados junto com os vendedores, numa reunião de noventa minutos. Padrão imposto de cima vira teatro, e o time cumpre enquanto o gestor está olhando.

Quando o vendedor participa da definição do prazo, ele defende aquele prazo. Além disso, ele traz restrições reais que o gestor não enxerga da sala, como o horário em que o sistema do banco fica fora do ar.

Como essa página fica quando está preenchida

Para sair do abstrato, veja como ficaria a página de uma revenda multimarca com seis vendedores e cerca de trezentos leads por mês.

Prazo por canal

WhatsApp e formulário do site, resposta no mesmo turno, com plantão do time até as 19h em dias úteis e até as 13h no sábado.

Telefone, retorno em até duas horas.

Marketplace, resposta no mesmo turno. Fora desses horários, mensagem automática que já pergunta modelo de interesse e forma de pagamento.

Primeira resposta: sempre confirma o que o cliente pediu, sempre traz uma informação concreta (disponibilidade, cor, faixa de parcela) e sempre propõe dois horários de visita.

Campos obrigatórios no CRM antes de passar o lead adiante: modelo e versão, forma de pagamento, carro na troca, número já prometido e data do próximo contato.

Regra de retorno: nenhum contato termina sem a data do próximo, dita em voz alta e registrada no sistema.

Ritual de revisão: toda terça, às 9h, quarenta minutos, com o gerente comercial conduzindo e os seis indicadores na tela.

Isso cabe em uma folha A4. Note que não há nada de sofisticado ali. O valor está em existir por escrito e em todo mundo conhecer, porque combinado que só vive na cabeça do gerente não sobrevive à primeira semana movimentada.

Exemplo de checklist padrão de atendimento ao cliente na concessionária
Exemplo de checklist padrão de atendimento ao cliente na concessionária

Três níveis de maturidade, três cadências possíveis

Eu não acredito em receita única. Operações diferentes sustentam ritmos diferentes, e prometer o que não se cumpre é pior do que prometer pouco. Por isso, leia os três níveis abaixo e se enquadre no que descreve a sua realidade hoje, não no que você gostaria que fosse.

Na operação inicial, quem vende é quem responde. Não existe ninguém dedicado só a cuidar de lead digital. Aqui o compromisso realista é responder todo lead no mesmo turno em que ele entra, registrar os cinco campos obrigatórios e revisar os números uma vez por semana. Nada de plantão noturno. É melhor prometer o turno e cumprir do que prometer minutos e falhar.

Na operação intermediária, a primeira resposta deixa de depender de alguém estar disponível. Entra a automação com IA: um assistente responde em segundos, a qualquer hora, e já pergunta o essencial, que é modelo de interesse, forma de pagamento e se existe carro na troca.

O que muda é o que chega ao vendedor. Em vez de um nome e um telefone às onze da noite, ele abre o turno com a conversa iniciada e os campos preenchidos no CRM. A automação resolve a primeira resposta, não a negociação. Aqui a revisão semanal passa a ter dono e pauta fixa.

Na operação avançada, a automação já está dada e o jogo é outro. O que diferencia é o que se faz com o que ela registra: roteamento por especialidade, integração entre site, CRM e WhatsApp, acompanhamento diário dos indicadores e leitura das próprias conversas para achar onde o padrão está sendo furado.

O erro que eu vejo com frequência é a operação inicial tentando prometer o que só a avançada sustenta. O time se frustra, o gestor cobra o impossível, e o padrão morre em três semanas.

Como medir atendimento ao cliente na concessionária

Aqui está a parte que quase ninguém faz. Atendimento costuma ser avaliado por percepção: o gestor acha que está bom, ou acha que piorou. Enquanto for assim, não dá para corrigir nada com método.

Eu prefiro indicadores internos, comparados com a própria loja ao longo do tempo. Benchmark de fora serve de contexto, mas raramente serve de régua, porque a sua praça, a sua marca e o seu mix são diferentes.

Seis números dão conta do recado. O tempo mediano até a primeira resposta, por canal. O percentual de leads respondidos dentro do prazo combinado. O percentual de leads sem registro nenhum no CRM depois de 24 horas. A taxa de comparecimento, de visita agendada para visita realizada. O percentual de oportunidades perdidas com motivo preenchido. E uma pesquisa de satisfação simples aplicada depois da entrega.

Use a mediana, não a média, no tempo de resposta. Um lead que ficou três dias parado distorce a média inteira e esconde o comportamento típico do time. A mediana mostra o que acontece no caso comum.

O ritual semanal que faz o número virar decisão

Número sem rotina de leitura não muda nada. Reserve quarenta minutos por semana, sempre no mesmo dia, com a mesma pauta. Cada indicador entra com três perguntas: qual é o número, qual era o objetivo, e o que a gente decide a partir dele.

Um exemplo real de como isso soa: “a mediana de primeira resposta no WhatsApp foi de 52 minutos, o combinado era 30, e a concentração de atraso está entre 15h e 18h. Decisão: a partir de segunda, o Rodrigo cobre até as 18h e a resposta automática assume depois disso.”

Repare que a reunião termina com uma decisão nominal, com dono e data. Sem isso, vira relatório bonito que ninguém usa.

Uma ressalva importante sobre esses números. Eles dimensionam onde está o atraso, não apontam culpado. Uma mediana alta pode vir de excesso de leads por vendedor, de sistema lento, de horário descoberto ou de processo mal desenhado. Por isso, o indicador serve para escolher onde olhar primeiro, e a causa você descobre ouvindo as conversas.

Indicadores de atendimento ao cliente na concessionária
Indicadores de atendimento ao cliente na concessionária

Por onde começar nos próximos 30 dias

Se você leu até aqui e está pensando em reformar tudo de uma vez, espere um pouco. Reforma grande costuma morrer na terceira semana. Eu prefiro um ciclo curto de trinta dias, com entregas pequenas e verificáveis.

Na primeira semana, só observe. Leia vinte conversas de WhatsApp do mês passado, do primeiro contato até o desfecho. Escute cinco ligações, se você grava. Não corrija ninguém ainda. Anote onde as conversas travaram e o que mais se repetiu.

Na segunda semana, reúna o time por noventa minutos e escreva a página do padrão, com os cinco combinados. Imprima. Cole na parede. Defina quem é o dono de cada combinado.

Na terceira semana, rode o padrão sem cobrar resultado. É período de adaptação, e vai ter falha. Use esses dias para remover obstáculos. Se o vendedor não consegue cumprir o prazo porque o sistema demora, o problema é o sistema.

Na quarta semana, meça pela primeira vez e faça a reunião de quarenta minutos. Compare com o que você observou na semana um. Ajuste um combinado, no máximo dois. Depois disso, repita o ciclo.

O atendimento é o que sobra para disputar

Volto ao começo. O cliente chega na sua loja sabendo o modelo, a versão, a cor e a faixa de parcela. Ele comparou tudo isso sozinho, no celular, antes de falar com você. O produto, nesse ponto, já está praticamente definido.

O que resta em disputa é como ele vai ser tratado: quem responde com informação de verdade, quem não some no meio da negociação, quem entrega o carro com calma e quem aparece depois. Nada disso depende de investimento alto. O atendimento ao cliente na concessionária melhora com combinado escrito e rotina de cobrança, não com orçamento novo.

Vendas online são como uma grande corrida automobilística. Vence aquela equipe que tem o melhor piloto, a melhor máquina e a melhor estratégia. Piloto é o seu time. Máquina é a sua estrutura de site, CRM e WhatsApp. Estratégia é o padrão que você acabou de ler como montar.

E quando chegar a hora de avaliar se funcionou, não confie na sensação. Quem lidera com dados, chega no pódio. Quem acha, quebra o motor. Meça a mediana da primeira resposta, o comparecimento e o motivo de perda. Esses três números vão te contar a verdade antes de qualquer reunião.

Envie esse artigo para sua equipe, líder ou amigo do segmento automotivo. O primeiro passo para a excelência é a compreensão das próprias limitações e potenciais. Agora que você entendeu, quer aprender como realizar a transformação digital na sua concessionária? Chama o meu time [neste link] que ele vai te explicar detalhadamente.

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Sobre o Autor

Tiago Fernandes
Tiago Fernandes

Administrador, sócio-fundador e CEO da AutoForce.

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