Quais os principais impactos do Coronavírus no setor automotivo brasileiro?

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Montadoras interrompendo produção e anunciando férias coletivas, esvaziamento de escritórios, demissões e greves; determinações estaduais para o fechamento de concessionárias. Definitivamente, com a transmissão local confirmada, já podemos sentir os impactos do Coronavírus no setor automotivo brasileiro. E não estamos falando apenas de queda nas vendas: o aumento exponencial do dólar, a quarentena da população e redução das importações também preocupam devido ao estoque de peças e acessórios e a necessidade de manter o atendimento no pós-vendas.

Os dados mostram que as vendas de veículos durante a primeira quinzena de março ainda escaparam da pandemia. Até então, foram emplacados 112,2 mil automóveis e comerciais leves. No entanto, esse movimento não deve se manter no fechamento do mês. Muitos concessionários já reclamam do esvaziamento dos showroons e da queda na procura por veículos. 

Nesta semana, a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) emitiu comunicado para as 7,1 mil concessionárias brasileiras informando que fará a revisão de expectativas de vendas em abril. No entanto, evitou indicar abertamente o fechamento das lojas. A entidade afirma que os estoques das concessionárias têm garantia de abastecimento por um período de 45 a 60 dias.

No entanto, sabemos que essa não é exatamente a realidade para todas as marcas. Algumas delas, como a Hyundai, tem boa parte dos componentes importado diretamente de países como Coreia, Japão, China e da Europa, que estão no epicentro da pandemia do Covid-19.

Os primeiros dias de abril serão decisivos para reavaliar as projeções do ano. Mas é fato que já podemos listar alguns dos principais impactos do Coronavírus no setor automotivo brasileiro e o que é possível fazer para contornar a situação neste primeiro momento.

impactos do coronavírus no setor automotivo
Fonte da imagem: Autoesporte

5 impactos do COVID-19 no setor automotivo brasileiro

1. Redução no fluxo de loja

O impacto mais visível foi, claro, a queda exponencial no fluxo de loja. Concessionárias que são clientes da AutoForce têm reclamado, em todas as regiões do Brasil, sobre o esvaziamento dos showroons físicos, causado, principalmente, pelo isolamento da população em suas casas.

Essa redução também é causada por medidas preventivas dos estados brasileiros. Em Santa Catarina, o governo estadual determinou o fechamento do varejo, incluindo as  concessionárias. A Prefeitura de São Paulo também determinou o fechamento do maior varejo do país até 5 de abril.

Além disso, com as proibições às aglomerações, feirões de vendas e outras estratégias de marketing offline estarão temporariamente suspensas. Eventos do setor automotivo, como o AB Experience, foram adiados para o segundo semestre.

2. Realocação da equipe

Outro ponto importante é a reorganização das equipes das concessionárias. Para além da diminuição da demanda nos showroons físicos, a medida é necessária também para evitar a transmissão local do coronavírus.

Distribuição de álcool gel no ambiente físico, orientações de higiene e de redução de contato físico entre os colaboradores são medidas essenciais.

Diante disso, algumas concessionárias estão readequando parte da operação para o trabalho remoto

Algumas equipes, como pré-vendedores (encantadores de leads), administrativo e parte dos vendedores podem fazer o atendimento via internet e telefone, o que facilita o regime de trabalho home office.

Outra dica importante é adiantar férias e licenças para os grupos de risco, como gestantes, colaboradores com doenças crônicas ou com mais de 60 anos. 

Além disso, ainda que a orientação, no momento atual, seja de preservar os empregos (até porque ainda não chegamos ao pico de transmissão da doença, prevista para segunda quinzena do mês de abril), é importante considerar as medidas anunciadas recentemente pelo governo federal para estimular a economia. O pacote autoriza redução da jornada de trabalho e dos salários, os quais serão parcialmente compensados pelo governo.

3. Queda da confiança do consumidor

Períodos de crise trazem, principalmente, uma modificação no planejamento do consumidor. Além do medo da perda de empregos e da redução do poder aquisitivo, todos nós tendemos a direcionar o orçamento a itens essenciais, como alimentos e medicamentos.

O estudo COVID-1-: whay do consumers expect from brands, da Kantar Media, indicou que a principal preocupação das pessoas estava relacionado ao dinheiro: 60% dos entrevistados disseram “sentir que a situação exige mais planejamento financeiro e mais segurança para o futuro”.

Por isso, é possível que a decisão de compra de veículos (novos e seminovos) seja adiada pelo consumidor brasileiro para os próximos meses.

Até dezembro de 2019, uma pesquisa feita pelo Quorum Brasil com mais de 1000 proprietários de veículos indicava que 60% deles gostaria de trocar de carro em 2020 — uma onda de otimismo que o setor automotivo não via há algum tempo, e que agora deve demorar um pouco mais para se concretizar.

Um estudo feito pelo Facebook e a McKinsey, divulgado nesta semana, também indicou os reflexos do coronavírus no setor automotivo de outros países. 

impactos do coronavírus no setor automotivo
Fonte: Facebook Latam

De acordo com a pesquisa Coronavirus COVID-19: Facts and Insights, o Coronavírus foi o fator mais impactante na redução das vendas de carros de acordo com 72% das concessionárias da Itália, um dos países que mais tem sofrido com a pandemia.

4. Mudança no comportamento de compra

Outro ponto bastante expressivo é a modificação no comportamento de compra do consumidor. Neste ponto, não tratamos apenas da escolha sobre o que comprar, mas sobre como comprar.

A quarentena têm obrigado boa parte da população a permanecer em casa, o que gera uma demanda por serviços delivery. Ainda segundo o estudo Coronavirus COVID-19: Facts and Insights, as primeiras semanas de pandemia trouxeram um impacto direto no varejo, pois os consumidores reduziram o tempo fora de casa, mas não deixaram de comprar:

  • 81% foi o aumento no comércio eletrônico de alimentos e suprimentos;
  • As vendas online dos supermercados cresceu em 3x;
  • 49% dos consumidores disseram estar dispostos a pagar mais por qualidade e segurança

É possível, portanto, que a pandemia do Coronavírus traga mudanças mais profundas rapidamente, principalmente na forma como consumimos bens essenciais. Alimentos, medicamentos, eletrônicos: a crise está provando que as lojas físicas estão perdendo a importância (ainda mais agora, quando são pouco seguras).

5. Ajuste nos investimentos

A forma como as empresas — das micro às multinacionais — encaram as crises influenciam profundamente o relacionamento que desenvolveram com os consumidores no futuro.

É possível que, com os impactos do coronavírus no setor automotivo, boa parte do mercado esteja fazendo ajustes nos investimentos — produção, pessoal e publicidade, tudo deve ser readequado à queda na demanda. Ainda não é possível estimar, porém, o percentual de redução nos investimentos.

Essa readequação, no entanto, deve ser feita com responsabilidade. É em momentos de crise que consumidores buscam marcas de confiança e seguras. Por mais que a venda de um veículo não se concretize em uma ou duas semanas, a relação de confiança entre o consumidor e a concessionária (a ponta da cadeira automotiva) pode gerar oportunidades de negócio após o período de pandemia.

De acordo com o estudo COVID-19: what do consumers expect from brands, da Kantar, os consumidores esperam que as marcas tenham total controle de suas cadeias de produção e entrega também após a crise.

impactos do coronavírus no setor automotivo

Quanto ao setor automotivo, segundo o estudo do Facebook com a McKinsey, a expectativa é que a retomada das vendas se dê apenas no terceiro trimestre do ano (meados de setembro) — pelo menos na Europa.

“A província de Hubei responde por 9% do total da produção de automóveis chineses (incluindo montagem e componentes), interrompendo a cadeia de suprimento até a retomada das atividades”.

Coronavirus COVID-19: Facts and Insights by McKindey, Feb 2020)

Como sua concessionária pode manter as portas abertas durante o COVID-19?

Diante de tantas restrições de circulação e produção, é possível ainda que as concessionárias e revendedores de veículos alimentem alguma expectativa de venda para os próximos meses?

Seria irresponsabilidade assegurar que sim. O que sabemos até agora, no entanto, é que o setor automotivo, assim como outros que envolvem vendas complexas (itens de alto custo e ciclo longo de negociação), se reinventarão.

O que podemos orientar, no entanto, é sobre manter o foco no atendimento e experiência do cliente. Isso é assegurar a responsabilidade do setor automotivo com um serviço básico nos dias atuais, a mobilidade, o que tendemos a esquecer quando as vendas começam a cair.

Nesse momento, é essencial manter as portas digitais do seu negócio abertas. As redes sociais e o showroom digital são canais importantes para recebimento de demandas, as quais podem ser tratadas mesmo com o trabalho remoto do seu time.

Pensar nisso é essencial se lembrarmos que os serviços de pós-vendas, como venda de peças e acessórios e oficina, precisarão se manter. Por mais que a quarentena se estenda, os serviços de mobilidade, como Uber e 99pop, além do suporte aos veículos de pessoas físicas, serão necessários. 

Uma estratégia de marketing digital e vendas online não precisam ser cortadas, mas reimaginadas por ações como:

  • Estar presente onde os consumidores estão (ou seja, na internet);
  • Definir experiências alternativas ao cliente (como entrega à domicílio);
  • Dar assistência, fornecendo suporte oportuno e contribuir com ações de recuperação da sociedade e da comunidade.

Em momentos de crise, marcas que entregam valor real, agem com responsabilidade e ajudam comunidades e colaboradores são as que sobrevivem.

Aqui na AutoForce, passaremos as próximas semanas construindo conteúdo relevante e que traga alternativas aos impactos do coronavírus no setor automotivo brasileiro. 

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