O que esperar do mercado automotivo em 2019?

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O ano de 2018 foi o ponto de virada para o marcado automotivo — e não apenas por causa da retomada das vendas. O setor também começou a dar passos mais firmes quanto às tecnologias, tanto pela chegada do Rota 2030, que promete dar mais gás à produção de elétricos, quanto pelas mudanças no comportamento do consumidor, que impulsionaram o uso de chatbots e plataformas digitais para a comercialização em veículos.

Grandes marcas deram início à digitalização da jornada do cliente. A Renault, por exemplo, iniciou o ano lançando o K-Commerce, plataforma de venda on-line do Renault Kwid. Em dezembro, a Citroën também anunciou que fez a primeira venda de um veículo, o Citroën C4Cactus, por meio de um chatbot do Facebook.

À medida que essa transformação digital avança, novas mudanças também chegam ao setor. Mas quais são as tendências do mercado automotivo em 2019? O que podemos esperar da indústria? Confira alguns dados que separamos para você ficar de olho!

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Retomada na geração de empregos

Embalado pelo momento de retomada da economia brasileira, as perspectivas com o mercado de trabalho automotivo em 2019 são positivas.

Em primeiro lugar, o empregador brasileiro está mais otimista. Um levantamento da consultoria Robert Half mostrou que 70% dos profissionais responsáveis por recrutamentos acreditam que o próximo ano será melhor do que 2018 em relação a criação de vagas de emprego.

Os profissionais também estão mais confiantes. De acordo com o Índice de Confiança Robert Half (ICRH), avaliações acima de 50 pontos indicam que profissionais qualificados estão confiantes. Neste ano, o ICRH dos profissionais brasileiros chegou a 55,3 pontos.

Ainda de acordo com a consultoria, a melhora nas perspectivas vem associada ao otimismo do cenário político brasileiro diante da economia, o que se reflete em investimentos no mercado de trabalho. Estes dados são acompanhados pelo Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que cresceu 3,3 pontos no quarto trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores.

De acordo com a FGV, o indicador chegou a 117,4 pontos, o que mostra o ímpeto de investimento na indústria nacional. Explicando melhor: os índices acima de 100 pontos indicam que a proporção de empresas que vão aumentar investimentos é superior àquelas que projetam reduzir verba.

Esse otimismo vem acompanhado de alguns sinais da indústria automotiva já em 2018. Em dezembro, a Mercedes Benz retomou o terceiro turno de produção e abriu 600 novas vagas no ABC Paulista. Em novembro, a Toyota abriu o terceiro turno de produção pela primeira vez no Brasil e, em outubro, a Volkswagen abriu o segundo turno no Rio de Janeiro.

Estabilização das vendas

Outra tendência em 2019 é a estabilização da produção e das vendas do mercado automotivo. De acordo com a última projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de novos deve aumentar em 11%, resultado semelhante ao de 2018. Já a comercialização terá um crescimento de 5%, um pouco abaixo dos 15% alcançados no período.

Essa desaceleração deve ocorrer, segundo a Anfavea, por pressão do mercado argentino, o maior importador de veículos brasileiros. Já para o mercado interno as expectativas estão altas por causa do crescimento do PIB e do aumento no número de financiamentos de veículos.

“O mercado (interno) vai crescer 10% a 14%. Tem estrutura macroeconômica que permite isso. Os juros estão baixos, o PIB está voltando, os bancos estão emprestando”.

Antonio Megale, presidente da Anfavea, em entrevista ao G1

No acumulado de vendas de janeiro a novembro de 2018, segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram comercializados 2,2 milhões de veículos de passeio e comerciais leves no Brasil. Este número é maior que o total de vendas de veículos de passeio e comerciais leves em todo o ano de 2017, o que demonstra a reação do setor.

Expansão do crédito

Por falar em financiamento, a oferta de crédito deve continuar como o principal impulsionador das vendas internas em 2019. O crédito, puxado principalmente pelos bancos de montadoras (que, sozinhos, foram responsáveis por 41% do financiamento oferecido), foi recorde em 2018 e ainda viu a redução das taxas de juros.

De acordo com um levantamento feito pelo economista Raphael Galante, do Infomoney, nunca se liberou tanto crédito para carro novo no Brasil. Foram mais de R$ 100 bilhões concedidos pelas instituições financeiras.

O crédito para consórcio também cresceu em 2018. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (ABAC), a concessão de crédito chegou a R$ 15 bilhões até agosto.

Ainda assim, somente 30% dos carros novos brasileiros são financiados. Porém, se os bancos continuarem nesse ritmo, há grandes chances desse percentual crescer no ano que vem. Ou seja: há mais espaço para expansão das vendas.

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Maior eletrificação no mercado nacional

Outra tendência que marcou 2018 e se tornará mais proeminente em 2019 é a eletrificação dos veículos no mercado nacional. Durante o Salão do Automóvel, três grandes marcas — Nissan, Chevrolet e Renault — apresentaram ao público novos modelos elétricos, que devem circular nas ruas brasileiras ainda neste ano.

A eletrificação no Brasil segue uma tendência mundial. A maioria das marcas europeias tem pelo menos um VE no mercado hoje, assim como um ou mais híbridos. Nos Estados Unidos, as vendas totais de VEs chegaram a 1,4 milhão de unidades em 2018.

Além disso, a sanção do Rota 2030 — novo programa governamental que regulamenta a produção de carros no Brasil — também traz novo impulso ao elétrico. Agora, modelos elétricos pagarão apenas 7% de IPI, o que deve reduzir o preço de comercialização e estimular a produção nacional desse tipo de carro.

Aproximação da AI

Quando o assunto é o futuro do carro, as novidades vão ainda mais longe. Ao que tudo indica, a inteligência artificial vai tornar a direção mais inteligente a partir de 2019.

As maiores fabricantes de automóveis do mundo já anunciaram parcerias com as principais empresas de assistência em AI, como Google, Microsoft e Apple. Uma delas é a BMW, que já oferece o Google Assistant nos veículos.

A Alexa, AI da Amazon, também está a caminho. Em setembro, a gigante de Jeff Bezos anunciou o Echo Auto, um dongle que pode ser emparelhado com o smartphone e o carro para oferecer um copiloto com inteligência artificial.

A tendência é que os smartphones se tornem cada vez mais conectados ao carro, auxiliando na segurança e na direção. Pode ser que essas novidades também não demorem para chegar ao Brasil.

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Ascensão das concessionárias digitais

A inovação não chega só à indústria. A rede de distribuição de veículos também deverá promover mudanças em 2019.

Em dezembro, Fiat e Volkswagen anunciaram a criação das suas chamadas “concessionárias digitais”, que prometem se adequar às necessidades do novo consumidor e oferecer uma experiência de compra de qualidade.

Além do uso da realidade virtual, essas concessionárias também terão espaços mais flexíveis. Explicamos tudo sobre essa mudança neste outro post sobre concessionárias digitais.

Plataformas na comercialização

Quando o assunto é inovação na rede de distribuição, o uso das plataformas digitais para facilitar as atividades dentro da concessionária também é uma tendência que permanece em 2019.

Se sua concessionária investe em marketing digital, com certeza já utiliza algumas dessas ferramentas. Exemplo disso são os gerenciadores de leads, as plataformas de automação de marketing e os gerenciadores de conteúdo, como é o caso do Autódromo da AutoForce.

Com o aumento do interesse do consumidor em fechar negócio pela internet, é possível que, a partir de 2019, o mercado passe a investir cada vez mais em plataformas que permitam a negociação total pela internet. Hoje, 62% dos consumidores gostariam de comprar seu carro totalmente on-line, sem precisar ir até a loja física.

Conclusão

A inovação em todas as tendências tecnológicas da indústria automotiva é feroz. Mas nem tudo se resume a encher carros com recursos avançados ou em transformá-los em veículos voadores.

É preciso antes reconhecer bem as necessidades dos usuários e alinhá-las com a inovação. Uma melhor experiência do usuário deve ser o fator norteador de toda e qualquer tecnologia. Talvez por isso, entre todas as tendências para 2019, as que mais se destaquem sejam aquelas que repensem a comercialização dos veículos, como as plataformas digitais.

E você, aposta em alguma tendência para o mercado automotivo em 2019? Deixe sua opinião nos comentários!